O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), criado há exatos dez anos pelos países do BRICS, abriu nesta semana sua Reunião Anual de 2025 no Rio de Janeiro com discursos grandiosos, dados técnicos e a presença de figuras de peso como Dilma Rousseff, Fernando Haddad e o presidente Lula. O evento, sediado em um dos hotéis mais caros da capital fluminense, foi marcado por elogios internos à atuação do banco, mas também escancarou um problema que cresce ano após ano: o NDB ainda entrega muito menos do que promete.

A cerimônia teve toda a pompa esperada de uma entidade multilateral em ascensão. Dilma destacou os investimentos em infraestrutura, Lula criticou a austeridade imposta por instituições financeiras do Norte Global, e Haddad exaltou a política de “parceria entre iguais”.
Porém, o discurso político destoou da realidade técnica. Em dez anos, o NDB aprovou pouco mais de 100 projetos e movimentou cerca de US$ 39 bilhões — uma cifra que pode parecer robusta, mas que representa apenas uma fração do que FMI e Banco Mundial distribuem anualmente. Para um banco que se propunha a “mudar a arquitetura financeira mundial”, o alcance prático ainda é modesto.
Um dos pontos mais repetidos durante a cerimônia foi a defesa de uma nova moeda para o comércio entre os países do Sul Global. Lula voltou a propor a criação de uma unidade monetária própria, sugerindo que a dependência do dólar sufoca as economias emergentes. Contudo, até hoje, 100% dos empréstimos do NDB seguem indexados ao dólar ou ao euro. A moeda alternativa é sempre uma promessa “para o futuro” — e o futuro parece nunca chegar.
O NDB se expandiu além dos BRICS, incorporando países como Egito, Emirados Árabes Unidos e Bangladesh. Apesar de positivo do ponto de vista institucional, isso levanta dúvidas sobre a identidade do banco: é um instrumento geopolítico dos BRICS ou uma instituição multilateral genérica como qualquer outra? A falta de integração política e econômica real entre os membros impede avanços estruturais.
O banco apresentou dados sobre rodovias reformadas, trilhos construídos, água tratada e moradias financiadas. Mas não houve qualquer menção à avaliação qualitativa desses projetos. Quantas pessoas saíram da linha da pobreza? Houve geração de emprego sustentável? Como foi o impacto ambiental e social? Sem essas respostas, o NDB corre o risco de repetir o modelo que critica: financiar obras grandes, mas com pouca transformação social real.
A cerimônia de abertura do NDB 2025 foi eficiente em autopromoção, mas ineficaz em autocrítica. O banco segue prometendo mudanças estruturais sem alterar, de fato, sua forma de operar. Se quiser continuar existindo com relevância, precisará criar instrumentos de crédito em moedas locais, medir o impacto real de seus projetos e abandonar a dependência de um modelo financeiro que disseca, mas não desenvolve.
