O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta mais um impasse que evidencia a fragilidade do Executivo diante da atual correlação de forças no Congresso Nacional. Com a Câmara e o Senado fortemente influenciados pelo PL e por partidos do Centrão, Lula se vê, mais uma vez, “de mãos amarradas” para conduzir pautas sensíveis sem sofrer derrotas políticas significativas.

O caso mais emblemático é o avanço de projetos defendidos ou apoiados pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que frequentemente confrontam posições centrais do governo petista. Mesmo quando Lula sinaliza disposição para vetar determinadas propostas, o Planalto sabe que há um risco real de o Congresso derrubar esses vetos, esvaziando o poder presidencial e expondo a fragilidade da articulação política do governo.
Esse cenário não é resultado apenas de escolhas recentes, mas do desenho político herdado das eleições de 2022. Embora Lula tenha vencido a disputa presidencial, a composição do Legislativo permaneceu majoritariamente conservadora. O PL, em especial, consolidou-se como a maior bancada da Câmara, o que lhe garante protagonismo nas decisões e capacidade de impor derrotas ao governo.
Dentro do próprio Palácio do Planalto, a leitura é clara: Lula precisa escolher cuidadosamente suas batalhas. Em alguns casos, o veto presidencial funciona mais como gesto político e simbólico — para marcar posição junto à base eleitoral — do que como um instrumento efetivo para barrar mudanças. Em outros, o governo opta por negociar e ceder em pontos estratégicos, evitando derrotas ainda maiores.
A oposição, por sua vez, explora esse contexto para reforçar a narrativa de enfraquecimento do governo e da dependência do Congresso. Já aliados do presidente argumentam que Lula governa em um ambiente institucional hostil, no qual a maioria parlamentar não reflete o projeto político vencedor nas urnas.
O fato é que a expressão “mãos amarradas” resume bem o momento político: Lula ainda dispõe de instrumentos formais de poder, mas enfrenta limites claros impostos por um Legislativo fortalecido, fragmentado e frequentemente adversário. O desafio do governo, daqui para frente, será transformar essa limitação em estratégia, seja ampliando a articulação política, seja apostando no apoio popular como forma de pressão sobre o Congresso.
Enquanto isso, cada novo projeto aprovado contra a vontade do Planalto reforça a percepção de que, no Brasil de hoje, governar exige muito mais do que vencer a eleição presidencial.
