O anúncio do reajuste salarial de 16% para os professores da rede municipal de São Luís, feito pela gestão do prefeito Eduardo Braide, merece reconhecimento. Em um país onde a educação pública frequentemente ocupa o discurso, mas raramente o topo das prioridades orçamentárias, qualquer medida concreta de valorização do magistério representa um avanço. No entanto, é preciso ir além do aplauso imediato e refletir: esse reajuste é um ponto fora da curva ou o início de uma política consistente de valorização dos professores?

O aumento concedido supera a inflação e o reajuste do piso nacional do magistério, o que, sem dúvida, melhora o poder de compra dos docentes e sinaliza sensibilidade da gestão municipal. Ainda assim, é importante lembrar que essa conquista não surgiu espontaneamente. Ela é resultado direto da mobilização da categoria, da pressão sindical e de anos de reivindicações por respeito à carreira docente. Valorizar o professor, portanto, não deve depender de embates anuais, mas ser uma diretriz permanente do poder público.
Outro ponto que merece atenção é o contraste entre discursos políticos e a realidade cotidiana das escolas. Salário é fundamental, mas não resolve sozinho problemas estruturais como salas superlotadas, falta de recursos pedagógicos, precarização de prédios escolares e sobrecarga de trabalho. Quando o reajuste não vem acompanhado de investimentos contínuos em infraestrutura e condições de trabalho, corre-se o risco de transformar uma conquista legítima em peça de marketing político.
Também causa incômodo o fato de que debates sobre aumento salarial costumam ser mais rápidos e silenciosos quando envolvem cargos do alto escalão do poder público, enquanto professores precisam lutar intensamente para garantir direitos básicos. Essa assimetria reforça uma lógica histórica de desvalorização do magistério, incompatível com a importância social da profissão.
O reajuste anunciado pela Prefeitura de São Luís é, sim, uma vitória. Mas ele não pode ser tratado como favor, nem como gesto isolado de boa vontade administrativa. Professores não pedem privilégios; exigem reconhecimento, estabilidade e políticas públicas que respeitem o papel central da educação no desenvolvimento da cidade.
Se a gestão municipal deseja, de fato, deixar um legado positivo na educação, precisa transformar esse reajuste em política contínua, manter o diálogo com a categoria e assumir que investir em professores é investir no futuro. Fora disso, qualquer aumento corre o risco de ser apenas um número — alto, chamativo, mas insuficiente para mudar a realidade das salas de aula.
