O Maranhão possui atualmente mais de 75 mil pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). O dado foi divulgado a partir do Censo Demográfico 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e traz pela primeira vez um retrato oficial sobre o autismo no estado.

Segundo o levantamento, cerca de 75.283 maranhenses declararam possuir diagnóstico médico de autismo, o que corresponde a aproximadamente 1,1% da população estadual. O percentual está alinhado com a média nacional, que também gira em torno de 1,2%.
Na capital, São Luís, os números chamam ainda mais atenção. O Censo identificou 15.290 pessoas com TEA vivendo no município, o equivalente a 1,5% da população local. Especialistas apontam que esse percentual maior nas áreas urbanas pode estar relacionado ao maior acesso a serviços de saúde, equipes multiprofissionais e avaliações diagnósticas.
Em todo o país, o IBGE contabilizou cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de autismo, marcando um avanço importante na produção de dados oficiais sobre o tema. Até então, grande parte das informações disponíveis vinha de estimativas ou estudos pontuais.
Apesar dos números expressivos, especialistas alertam que os dados ainda podem estar subestimados. Isso porque o Censo considera apenas pessoas que já receberam diagnóstico formal e que tiveram condições de declarar essa informação. Em regiões com menor acesso à saúde especializada, como áreas rurais e municípios do interior, muitas pessoas podem ainda não ter sido diagnosticadas.
Os dados reforçam a necessidade de ampliação das políticas públicas voltadas às pessoas autistas, incluindo diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo, inclusão educacional e apoio às famílias. Para organizações da sociedade civil e gestores públicos, o levantamento representa um passo fundamental para o planejamento de ações mais eficazes e baseadas em evidências.
Com a divulgação desses números, o Maranhão passa a ter um panorama mais claro sobre a população autista no estado — um avanço importante para garantir direitos, visibilidade e inclusão.
